19 maggio 2006

NÃO SE PREOCUPEM. ESTOU VIVO E BEM DE SAÚDE! (pelo menos até às 19h04 do dia 19 de Maio de 2006)
Passou mais de um mês sem dar notícias. Estive entretido, entre livros e viagens, mais com estas que com aqueles, para dizer a verdade. Nem me lembro bem de tudo o que fiz. Procuro exercitar o músculo da memória... Não consigo. Vou-me dopar. Não resisto. Dou uma olhadela pelas fotos. Ah...
Nestes dias consumi compulsivamente arte na minha cidade com a Joana (minha irmã) e o Nuno ("meu irmão") , vi o Prodi ganhar as eleições de 12 de Abril quando tocava o bar Eskimo, estive três dias fantásticos nos alpes italianos com a família do meu amigo Diego, recebi o meu primo Filipe e a Poly, passei uma noite fantástica na piazza del Campo em Siena com o meu primo Tiago e seus amigos "palermas", encontrei os meus pais e tios em Roma para uma viagem inesquecível pelo Sul de Itália, vi a maior exposição de sempre do Modigliani em Roma, fiz exames pelo meio, e por fim... passei um fds incrível com amigos ilha de Elba. Tudo isto em pouco mais de um mês. Talvez me percebam agora porque não pude dar-vos notícias primeiro. Mas nos próximos dias vou escrever sobre estas experiências. Únicas e irrepetíveis. Assim se querem. Um beijo a todos (vou tomar um banho e por-me fino, porque vou à ópera: Falstaff de Verdi, dirigido pelo Zubin Mehta)


10 Comments:

Blogger Luís Graça said...

Até que enfim, que apareces!... Gostava de ler as tuas impressões, mediatizadas pela escrita florentina, sobre a nossa viagem de dez dias ao Mezzogiorno, incluindo a Sicília... Posso esperar!

maggio 20, 2006 11:32 PM

 
Blogger joana said...

olá maninho...

que bom poder "ler-te" no teu blog... parece que foi há dias que estive contigo, e ainda sinto a cor da cidade de Florença a borbulhar na minha memória... e a marca, indelével, de todos os que a pintaram: Botticelli, Leonardo da Vinci, Miguelangelo, entre outros... bebi e sorvi cada página de história de arte, que tu tão bem soubeste contar... e sem dúvida que o melhor de tudo, foi a tua companhia e a tua amizade! Tanto eu como o Nuno voltámos mais preenchidos e com o sentimento de que estás feliz, calmo, tranquilo...

espero por ti aqui, para divagar em meditações espirituais e budistas e alcançar "um pouco mais de azul..." nesta terra de fados e nostalgias!!

Um beijo com saudade
Joana

maggio 21, 2006 3:45 AM

 
Blogger Luís Graça said...

João:

Fomos ontem ver a peça do Bertold Brecht, a Vida de Galileu, encenada e representada pelo Teatro Aberto. Gostámos muito. É um trabalho de grande nível, do ponto de vista da encenação, representação, desenho de cenários, audiovisuais...

O Teatro Aberto é uma excelente sala que valoriza a cidade de Lisboa e o teatro português... A encenação é de João Lourenço, o homem de teatro que mais peças do Brecht levou á cena em Portugal... Um verdeiro brechtiano... Revi também a grande actriz Irene Cruz, trinta anos depois de ter feito "O círculo de giz caucasiano"...

A peça é também uma longa reflexão sobre a responsabilidade social dos cientistas, a liberdade, a verdade, a razão, as utilizações da ciência, o mercado do saber, o exercício do poder... "A verdade é filha do tempo, não da autoridade" ou "acabou-se o milénio da fé, começa o milénio da dúvida"... Fascinante, poético, dramático, emocionante!

Espero que ainda possas ver esta peça no verão, no teu regresso...

Evocou-se (e falou-se muito de) Florença onde Galileu, nascido em Pisa, foi professor durante muito tempo... A propósito de Florença e da protecção do seu grande patrono, Cosimo de Medicis (a quem ele começou a dar aulas de matemática, em 1605 e que morreu em 1621)... Bem o avisaram que em Florença mandavam os padres e que ali chegava facilmente o longo braço (armado) da Santa Inquisição, contrariamente à Veneza burguesa e mercantil ou à Holanda reformista... Um dia os Medicis foram obrigados a ceder às pressões de Roma... Em 1633, no ano fatídico, é preso e sujeito em Roma a um processo no fim do qual, e sob a ameaça da tortura, abjura as suas teorias que estão na origem da física moderna, da "nova ciência"... Fica a viver em prisão domiciliária... Em 1638 está complemente cego e em 1642 morre em Arcetri, repetindo para si mesmo a famosa frase "E per si muove"... 450 anos depois é reabilitado pelo Papa João Paulo II...

Muitos joves desconhecem este período (dramático) da história da ciência e o gigantismo deste homem... que gostava das coisas boas da vida, como qualquer mortal... Bem, deixo-te aqui o belíssimo poema que o Gedeão escreveu em 1964, por ocasião dos 400 anos do seu nascimento.


António Gedeão (ou Rómulo de Carvalho) >

Poema para Galileo


Estou olhando o teu retrato, meu velho pisano,
aquele teu retrato que toda a gente conhece,
em que a tua bela cabeça desabrocha e floresce
sobre um modesto cabeção de pano.
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da tua velha Florença.
(Não, não, Galileo! Eu não disse Santo Ofício.
Disse Galeria dos Ofícios.)
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da requintada Florença.

Lembras-te? A Ponte Vecchio, a Loggia, a Piazza della Signoria…
Eu sei… eu sei…
As margens doces do Arno às horas pardas da melancolia.
Ai que saudade, Galileo Galilei!

Olha. Sabes? Lá em Florença
está guardado um dedo da tua mão direita num relicário.
Palavra de honra que está!
As voltas que o mundo dá!
Se calhar até há gente que pensa
que entraste no calendário.

Eu queria agradecer-te, Galileo,
a inteligência das coisas que me deste.
Eu,
e quantos milhões de homens como eu
a quem tu esclareceste,
ia jurar- que disparate, Galileo!
- e jurava a pés juntos e apostava a cabeça
sem a menor hesitação-
que os corpos caem tanto mais depressa
quanto mais pesados são.

Pois não é evidente, Galileo?
Quem acredita que um penedo caia
com a mesma rapidez que um botão de camisa ou que um seixo da praia?
Esta era a inteligência que Deus nos deu.

Estava agora a lembrar-me, Galileo,
daquela cena em que tu estavas sentado num escabelo
e tinhas à tua frente
um friso de homens doutos, hirtos, de toga e de capelo
a olharem-te severamente.
Estavam todos a ralhar contigo,
que parecia impossível que um homem da tua idade
e da tua condição,
se tivesse tornado num perigo
para a Humanidade
e para a Civilização.
Tu, embaraçado e comprometido, em silêncio mordiscavas os lábios,
e percorrias, cheio de piedade,
os rostos impenetráveis daquela fila de sábios.

Teus olhos habituados à observação dos satélites e das estrelas,
desceram lá das suas alturas
e poisaram, como aves aturdidas- parece-me que estou a vê-las -,
nas faces grávidas daquelas reverendíssimas criaturas.
E tu foste dizendo a tudo que sim, que sim senhor, que era tudo tal qual
conforme suas eminências desejavam,
e dirias que o Sol era quadrado e a Lua pentagonal
e que os astros bailavam e entoavam
à meia-noite louvores à harmonia universal.
E juraste que nunca mais repetirias
nem a ti mesmo, na própria intimidade do teu pensamento, livre e calma,
aquelas abomináveis heresias
que ensinavas e descrevias
para eterna perdiçpão da tua alma.
Ai Galileo!
Mal sabem os teus doutos juízes, grandes senhores deste pequeno mundo
que assim mesmo, empertigados nos seus cadeirões de braços,
andavam a correr e a rolar pelos espaços
À razão de trinta quilómetros por segundo.
Tu é que sabias, Galileo Galilei.

Por isso eram teus olhos misericordiosos,
por isso era teu coração cheio de piedade,
piedade pelos homens que não precisam de sofrer, homens ditosos
a quem Deus dispensou de buscar a verdade.
Por isso estoicamente, mansamente,
resististe a todas as torturas,
a todas as angústias, a todos os contratempos,
enquanto eles, do alto incessível das suas alturas,
foram caindo,
caindo,
caindo,
caindo,
caindo sempre,
e sempre,
ininterruptamente,
na razão directa do quadrado dos tempos.

Fonte: http://citi.pt/

maggio 22, 2006 9:19 PM

 
Anonymous Anonimo said...

aii joãozito que óculos fashion já estás em pleno a absorver dessa cultura,qd chegares quem sabe se nos presenteias com aquele tipico look mitro-italiano. scherzo scherzo.
gosto de saber das tuas viagens e quem me dera estar aí para uma noite de cantorias no eskimo que nunca aconteceu!
amigo goza bem essa vida aí essa outra realidade que me parece a cada dia distante da minha rotina lisboeta...
o erasmus transformou-me um bocadinho, a euforia de mergulharmos noutra vida e cultura é bela. Mas a 2ªparte de Erasmus é este regresso que doi de saudade, doi quase de ser dado à luz na nossa cidade mãe, novamente. Faz-nos crescer!
Ficam as memórias os risos o tanto que aprendemos juntos, depois algumas nódoas negras sentimentais do inesperado e hoje fica unicamente a certeza que passou e que estou mais rica sim senhora!!
muitos beijinhos e um abraço enorme para ti meu amigo*
sara

maggio 23, 2006 1:13 PM

 
Blogger rita said...

gracinha, finalmente! já falta pouco para te abraçarmos esses ossos (ou já engordaste uns kg's?!).até dia 14! :)

maggio 23, 2006 2:58 PM

 
Blogger JonnyGrace said...

JOANA: Fica aqui prometido que escrevo sobre a vossa visita, aquela que me trouxe de novo o calor (e o bacalhau!) de Portugal. Lembrava-me que o teu poliglotismo fez sucesso. Noutro dia fez anos o Oscar, catalão, e organizou-se um botelon em Santa Croce. Faltavas lá tu para partir a loiça. O mais engraçado é que toda a gente acreditava que falavas mesmo russo, sueco e japonês!
Mando um abraço ao teu zequinha. Tenho de vos falar sobre a exposição do Modigliani. Um beijo doce também para ti, maninha

maggio 23, 2006 8:28 PM

 
Blogger JonnyGrace said...

PAI: Não posso senão derreter-me com as tuas palavras cheias de história(s). Tenho de agradecer-te por me teres transmitido este espírito de procura. Pelo passado, para no presente, podermos transformar o futuro. E Galileo é um exemplo dessa busca.
A ti te devo muito. Obrigado pai.

maggio 23, 2006 8:38 PM

 
Anonymous Anonimo said...

Joãozinho, hoje consultei o teu blog "Arrivederci Portugalo" estou muito orgulhosa de ter assim um sobrinho; consegue fazer tudo; Estudar, passear, conviver e acima de tudo ser feliz.!! PARABENS JOÃO.
Espero que tires o máximo partido dessa tua estadia pelas bandas de Florença.
Aproveito pra te agradecer a belissíma companhia que nos fizeste na nossa viagem maravilhosa ao sul de Itália.
Muitos abraços de todos os que aqui estão, T G, T N e FILIPE

maggio 26, 2006 12:20 AM

 
Blogger Luís Graça said...

"Andamos rapidamente, com uma avidez e voraciddae enormes... descontentes do que somos e zangados com os outros... Depois chegamos a uma idade em que já aceitámos tudo.. e alguém diz-nos que temos de partir!"...

Um pensamento (melancólico ou talvez não) para a tua meditação poética de fim de tarde, com o sol por detrás da cidade dos Médicis. Foi a tua irmã que me deixou, em folha de papel colada no vidro da casa de banho... A Joana é um mulher cheia de sabedoria...

Obrigado, João, pelas palavras lindas que me escreveste e que me tocaram muito e que eu, se calhar, não mereço... O papel de Pai é esse mesmo. Amo-te.

PS - Atribuiram ao Luandino Vieira o Prémio Camões da Língua Portuguesa de 2006. É o maior galardão literário em língua portuguesa (100 mil euros). O escritor angolano, de origem portuguesa (n. em 1935, em Vila Nova de Ourém, vive em Portugal desde 1990) recusou o prémio por "razões íntimas e pessoais".. É uma atitude rara, hoje em dia, e que remete para coerência, valores, verticalidade... Em 1965, ele estava preso no Campo de Concentração do Tarrafal, e a Sociedade Portuguesa de Autores atribuiu-lhe um prémio pela sua novela Luuanda... Os esbirros do regime de Salazar assaltaram e destruiram a sede da Sociedade, à boa maneira fascista... Em 1965 eu tinha 18 anos e sofri muito com isto.. Estávamos em plena guerra colonial. Aos 22 eu estava na Guiné. Sempre admirei muito o Luandino Vieira. Ele veio reinventar e enriquecer a língua portuguesa: sem ele não poderia ter aparecido um Mia Couto, um Agualusa ou um Ondjaki, e outros escritores africanos de expressão portuguesa... Vê se descobres o Luuanda em italiano.

maggio 27, 2006 11:11 AM

 
Anonymous ritinha (Mirandela; FCML) said...

(apesar de nao teres referido :P) Gostei muito do dia que convivi ctg, com o teu primo e os amigos deles, e os teus amigos de erasmus. Foi um dia e meio muito agradável, que parece que foi ontem , mas infelizmente já foi há muito (digo infelizmente, pk voltei ao mundo real, traduzindo... o mundo do estudo).
Obrigada pela tua hospitilidade e agora até Setembro.
Bom resto de Erasmus

giugno 03, 2006 10:33 PM

 

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