


UM POUCO DE HISTORIA
« Com novo Papa, novo projecto, com efeito. Sucedendo a Clemente VII, Paulo III Farnésio, cuidadoso, por seu turno, em restaurar a autoridade de Roma e da Igreja, retomou um velho projecto e fez a Miguel Angelo a encomenda do Juizo Final. Para o prender, nomeou-o, por breve, a 1 de Setembro de 1535, arquitecto-chefe, escultor e pintor do palacio apostolico, com uma remuneracao vitalizia de 1200 ecus de ouro por ano. Tratava-se de terminar a decoracao da Capela Sistina e de substituir os frescos de Perugino, que cubriam a grande parede por cima do altar . O projecto nada tinha que desagradasse a Miguel Angelo que desprezava Perugino e o tratava de papalvo. Ele trabalhou no Juizo Final de 1536 a 1541 e nada o fez parar, nem mesmo a queda do andaime que o feriu gravemente numa perna. Nao deixou, pois, por isso, de terminar o seu trabalho imenso que foi inaugurado a 25 de Dezembro de 1541, com o publico admitido a contempla-lo.
Mais uma vez fervilham centenas de figuras num fresco que tem, desta vez, dezassete metros de altura por treze metros de largura. E esta obra colossal saiu das maos de um velho que estava entao entre os sessenta e um e os sessenta e seis anos. Uma vida de trabalhos e de tormentos esgotantes nao venceu, pois, a vitalidade deste homem « terrivel", como lhe chamava Julio II. Os papas sucediam-se com grande rapidez, ele ficava. Miguel Angelo nao assentou. A morte e, sobretudo, o medo, habitam esses inumeros corpos humanos gigantes cujo amontoamento produz um mal-estar sufocante e que, aos cachos, sao arrastados num ciclone que gira em torno da figura central, um Cristo atletico e imberbe, para acabarem aspirados por um sorvedouro" Gilles Neret, in Taschen
"Para alem das historias irrisorias das bragas (pano que cobria os genitais das figuras de Miguel Angelo, mandados pintar pelo papa Paulo IV Carafa) o que o Juizo Final na verdade ilustra é o naufragio de uma civilizaçao, de uma humanidade atormentada e dolorosa que viu desmoronarem-se as suas certezas intelectuais e morais, e que esperava com temor o cumprimento da promessa da ressurreicao dos justos, sob a égide de Cristo, ao mesmo tempo juiz e redentor, na perturbacao do fim dos tempo" Pier Luigi de Vecchi, in Taschen
















