20 novembre 2005




UM POUCO DE HISTORIA

« Com novo Papa, novo projecto, com efeito. Sucedendo a Clemente VII, Paulo III Farnésio, cuidadoso, por seu turno, em restaurar a autoridade de Roma e da Igreja, retomou um velho projecto e fez a Miguel Angelo a encomenda do Juizo Final. Para o prender, nomeou-o, por breve, a 1 de Setembro de 1535, arquitecto-chefe, escultor e pintor do palacio apostolico, com uma remuneracao vitalizia de 1200 ecus de ouro por ano. Tratava-se de terminar a decoracao da Capela Sistina e de substituir os frescos de Perugino, que cubriam a grande parede por cima do altar . O projecto nada tinha que desagradasse a Miguel Angelo que desprezava Perugino e o tratava de papalvo. Ele trabalhou no Juizo Final de 1536 a 1541 e nada o fez parar, nem mesmo a queda do andaime que o feriu gravemente numa perna. Nao deixou, pois, por isso, de terminar o seu trabalho imenso que foi inaugurado a 25 de Dezembro de 1541, com o publico admitido a contempla-lo.

Mais uma vez fervilham centenas de figuras num fresco que tem, desta vez, dezassete metros de altura por treze metros de largura. E esta obra colossal saiu das maos de um velho que estava entao entre os sessenta e um e os sessenta e seis anos. Uma vida de trabalhos e de tormentos esgotantes nao venceu, pois, a vitalidade deste homem « terrivel", como lhe chamava Julio II. Os papas sucediam-se com grande rapidez, ele ficava. Miguel Angelo nao assentou. A morte e, sobretudo, o medo, habitam esses inumeros corpos humanos gigantes cujo amontoamento produz um mal-estar sufocante e que, aos cachos, sao arrastados num ciclone que gira em torno da figura central, um Cristo atletico e imberbe, para acabarem aspirados por um sorvedouro" Gilles Neret, in Taschen

"Para alem das historias irrisorias das bragas (pano que cobria os genitais das figuras de Miguel Angelo, mandados pintar pelo papa Paulo IV Carafa) o que o Juizo Final na verdade ilustra é o naufragio de uma civilizaçao, de uma humanidade atormentada e dolorosa que viu desmoronarem-se as suas certezas intelectuais e morais, e que esperava com temor o cumprimento da promessa da ressurreicao dos justos, sob a égide de Cristo, ao mesmo tempo juiz e redentor, na perturbacao do fim dos tempo" Pier Luigi de Vecchi, in Taschen


COLOSSEO

Jaz uma cruz, na arena onde outrora, nos tempos romanos, animais ferozes e homens, ou melhor, gladiadores, subjugados a um estatuto inferior, lutavam ate se extinguir o ultimo pulso de sangue, para gaudio de 55000 espectadores. Local de barbaries que transcedem o limite da imaginacao e de crimes contra a humanidade. No entanto, com o advento da Cristianizacao do Imperio Romano, os jogos com gladiadores primeiro, e com animais depois, finalmente terminaram.

Hoje em dia tambem nao se paga bilhete, como nao pagavam os romanos, para ver o que eles viam. Basta ligar a televisao. Ler sobre o Rwuanda, Palestina e Israel, Timor… No fim de contas, a nossa mentalidade nao se alterou tanto, volvidos quase 2 milenios.

19 novembre 2005




18 novembre 2005


FENOMENO GEOGRAFICO - EQUADOR EM ROMA
Era meio dia. Deixavamos o autocarro proximo da praca onde discursava Mussolini no tempo do fascismo. Deparamo-nos, de subito, com a livraria italiana Feltrinelli (uma Fnac versao italiana). Na montra, a traducao do Equador de Miguel Sousa Tavares merecia especial destaque.
Por aquilo que tenho visto e sem ter feito uma pesquisa meticulosa, o panoramana da literatura portuguesa em Italia e o seguinte: a Feltrinelli traduz o polemico Lobo Antunes ( "Os leitores são umas putas, amam-nos e depois deixam-nos."), que pelo que li no Jornal de Letras do Guilherme enviado carinhosamente pelo seu avo, acaba de publicar "D'este Viver Aqui Neste Papel Descripto - Cartas de Guerra". Uma guerra marca qualquer um, imagino.
Ja os livros do inevitavel Saramago e do poeta Pessoa sao editados sob a chancela da Einaudi. Curiosamente na sua pagina (http://www.einaudi.it) aparece evidenciado o romance "Le intermittenze della morte".
Afinal de contas, so me posso orgulhar do que literariamente se produz no meu pais.
Arrivederci

17 novembre 2005






RETRATO DE UMA ROMA NOCTURNA

"Milano che lavora. Bologna la golosa. Napoli che fatica poco. Roma dove trionfa la dolce vita." Assim começava um artigo do jornal a Repubblica que tentava analisar os estereotipos sobre os italianos. No que aos romanos diz respeito, assentam que nem uma luva. Dizia ainda que dedicam 3 horas e 45 minutos do seu tempo diario em actividades recreativas. Leia-se: fazer desporto, relaxar e sair a noite.

Tal como a cidade, a noite de Roma é monumental. Trastevere, Campo di Fiore, Piazza Navona e Piazza della Rotonda enchem-se de gente diversa. O Papa e o unico que fica a dormir.

Trastevere fez-me lembrar o meu Bairro Alto, com as suas ruas estreitas, a roupa pendurada nos estendais, as velhinhas debrucadas nas janelas (a ver passar a vida), os restaurantes tradicionais, as trepadeiras que atapetam as paredes, o ocre dos edificios. Depois ha tambem a exposicao do Pasolini que se ve pelo catalogo, a banca da Amnistia Internacional que pretende recolher assinaturas para a criacao de um tratado de nao proliferacao de armas de fogo, a feira de artesanato, o palhaco de rua que brinca com o fogo e o musico que estudou no Zimbabue e que faz tocar 8 instrumentos a tempo. Foi neste ambiente magico que deixamos a outra margem e caminhamos para Campo di Fiori. As especiarias e batatas que se vendem aqui de dia dao lugar a uma sopa de gente jovem, bem quentinha por sinal. Andando um pouco mais chega-se a Piazza Navona, que tem uma forma curiosamente rectagular, pois outrora foi um local de corridas de cavalos. Os turistas gastam aqui as suas ultimas energias depois de um dia necessariamente cansativo. Soube tambem que a Camara Municipal quer expulsar os artistas plasticos que aqui trabalham... arrivederci

04 novembre 2005






CHEIAS DE 4 de NOVEMBRO de 1966
Nesse de dia cinzento de Novembro, o Arno galgou as margens e inundou toda a cidade. Foi precedido de 4 dias de precipitacao forte. Os diques a montante nao tinham sido convenientemente vazados. A tragedia aconteceu. Os fiorentinos acordaram, no dia 4 de Novembro, com agua pelos joelhos e com a alma destrocada pela imensidao da tragedia. Alguns livros, objectos religiosos e obras de arte foram destruidos para sempre pela furia da natureza. A tragedia tambem atingiu vidas humanas, com um saldo final de 30 e poucos mortos.
Hoje, 39 anos depois, recorda-se o alluvione. Para que nunca mais aconteca...

02 novembre 2005




HALLOWEEN - um gajo faz cada figura...
Comprei uma vassoura de bruxa por 99centimos, vesti uma saia da Monica que tinha uma lua e uma estrela e pintaram-me umas verrugas e olheiras. Assim fui, com mais duas amigas portuguesas, para a festa de Halloween na casa do Federico, o carequinha. Falou-se de budismo e espiritualidade. Depois terminamos a noite na via Cavour. A maior surpresa veio no fim da noite, quando percorri o telhado de tres predios, la por cima, e me apaixonei por este terraço...